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    Secoya Info No. 2 (português) PDF Imprimer Envoyer
    Écrit par Pascal Daniel Angst   
    Jeudi, 12 Juin 2008 00:00

    Editorial

    Várias pessoas já solicitaram, e finalmente nasceu, a terceira edição do meu “Secoya Info”. Peço desculpas a vocês pela demora desde a última edição; aconteceu principalmente devido à minha participação com o doCip na sétima sessão do “Foro Permanente sobre Assuntos Indígenas ”, em Nova Iorque durante o mês de abril e a conseqüente acumulação de trabalho em Manaus.

    A parte deste pequeno editorial e algumas palavras sobre a “nova Secoya” em Roraima, esta edição contém uma informação especial sobre o meu contrato com E-Changer e a Secoya, uma reflexão dos Yanomami sobre os objetos dos brancos, na língua deles e em português, e uma pequena matéria sobre o conflito da terra indígena “Raposa Serra do Sol”. A respeito deste assunto aconselho muito a leitura do excelente boletim de informação (em francês) da AYA , associação de apoio aos Yanomami da Amazôniaiii, assim como as informações e campanhas divulgadas por Denise, seja pela sua lista de correio, seja pelo sítio de “Terra Brasilis ”.

    Espero que tenham um pouco de tempo, entre os primeiros banhos de sol do verão e os jogos da Eurocopa 2008, para ler o meu pequeno boletim do outro lado do mundo.

    Saudações cordiais de Manaus, Pascal.

     

    Secoya

    Depois de aceitar o desafio do novo convênio com a Funasa para a saúde dos Yanomami de Roraima, a nossa coordenação virou semi-nômade, igual aos nossos parceiros indígenas. O nosso coordenador geral Silvio, o coordenador do departamento de saúde Jaime, e a coordenadora da administração Célia estão se revezando na presença em Manaus e Boa Vista. Seguindo os relatos, o trabalho avança, apesar das grandes dificuldades pela má gestão anterior, pela falta de infra-estrutura e de pessoal formado. Uma das prioridades então é a formação dos novos colaboradores e a sua sensibilização para o trabalho com os indígenas. No fim do mês de junho é planejado um encontro em Boa Vista com dirigentes Yanomami dos dois estados Amazonas e Roraima para tratar das dificuldades encontradas pela Secoya. Manteremos vocês informados.

     

    E-Changer

    No escritório da Secoya em Manaus criamos um grupo de cinco pessoas para almoçar junto: todo dia um de nós prepara a comida. É uma excelente forma de intercâmbio cultural, e a minha sexta-feira da cozinha internacional é bem apreciada pela equipe inteira. Se bem que a sexta-feira também é o dia tradicional do peixe, preparado cuidadosamente pela dona Cláudia. E os amazonenses adoram os peixes dos seus rios no prato ...

    Um assunto mais sério é o nosso grupo de apoio, da Denise e meu. O nosso trabalho de voluntário exige a organização de um tal grupo na Suíça, e nós criamos “Terra Brasilis” quando partimos ao Brasil, dez anos atrás. Desde então muitas coisas mudaram, mas a gente ainda trabalha para E-Changer, e ainda precisamos muito do seu apoio para manter a nossa relação com a Suíça e cumprir com a nossa tarefa de sensibilização para a causa dos índios do Brasil.

    Nesta segunda-feira aconteceu um encontro de Terra Brasilis em Genebra. Infelizmente não é mais possível convidá-los para participar deste encontro, mas gostaríamos muito de um pequeno sinal de solidariedade, uma mensagem ou uma ligação. Além da discussão sobre o futuro de Terra Brasilis, este encontro serve também para a informação sobre os nossos contratos com E-Changer. Eu vou aproveitar do boletim para divulgar esta informação, que estará em breve disponível (em francês) com mais detalhes no sítio de E-Changer, como já estão as informações da Denise.

    Alias, uma boa notícia é que a Denise estará na Suíça em julho/agosto deste ano, e ela estará feliz de poder encontrar todos vocês e contar as últimas notícias sobre o nosso trabalho e a sua vida. Não esqueçam de contactá-la logo para reservar um espaço na agenda dela.

    Depois de sete anos de trabalho com o “Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra” MST no Brasil comecei em fevereiro 2008 o meu trabalho com a Secoya em Manaus. O meu contrato com E-Changer é de dois anos, até fevereiro 2010. A minha inserção como voluntário ou cooper-ator para E-Changer serve para o reforço institucional da Secoya na área das tecnologias de comunicação e informação. A Secoya - Associação Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami - foi fundada em 1997 para controlar as endemias de Tuberculose, Malária e Gripe, e para capacitar agentes indígenas de saúde. Hoje a Secoya trabalha com os Yanomami do Amazonas e Roraima em três setores, sempre visando a sua autonomia e participação: saúde, educação e desenvolvimento sustentável.

    As minhas tarefas na Secoya são a capacitação dos meus colaboradores e dos agentes indígenas, a gestão da informática, a sistematização dos dados e a atualização dos meios de comunicação e informação. Apos um tempo de adaptação eu controlei e consertei na primeira fase os computadores da Secoya em Manaus, instalei um sistema de administração da informática, e aumentei a estabilidade e a segurança da nossa rede de computadores. Como a Secoya está procurando uma nova sede em Manaus, diversos projetos estão adiados, mas já discutimos algumas propostas. Atualmente estou reformulando a apresentação da Secoya na Internet. São previsto, sem data fixa ainda, visitas às nossas bases de Barcelos e Santa Izabel do Rio Negro e à filial em Boa Vista.

     

    Os objetos dos brancos

    Napë pën matohi pë rë taprawehei, pë matohi rë kopemawehei te ã.
    Awei, kamiyë Yanomam yama kn matohi yama pë rë tawei pë rii yaitawë.

    Të pë matohi rë yaitai: pohoro hi k, maxita hapoka, warapa ko pë, xereka, tora, maraka, y kë k, maramahe, xinakotorema, haowa, rahaka, tom nak, mai ko, kãtari ãhi pë, hãto nahi pë, paruri hesi pë, ara xina pë, werehi xina pë, yãpi hesi pë, hëm, mayep ãhu pë, w, xoto, yarehe si pë, pesima, xuhema ...ei të pë matohi rë kui, kamiyë Yanomam yama kn yama të pë tapou. Kamiyë yama k matohip yaitawë. Kamiyë yama k no patapn të pë he rii rë haa xomarenowehei të pë wãha rii. naha taen, yama k matohip yaitawë.

    Napë pën të pë rii rë tawehei, të pë rii yaitawë, hapa napë pën të rë taprarenowehei, urihiterim  të ha tërehen, të tapra xoarayomahe, h tëhë, matohi a tapraremahe. Kama napë a puhi taeoma, të pë riyã ha ruraman, 'loja' a ha të pë titia xoakema, 'dinheiro' pë riyã ha nomihan, h rë kutaen pruka matohi pë tapra xoaoma, a hõriprou maopë: sipara hitõ pë kãi tahe, xokopi hitõ pë kãi tahe, 'carro' pë kãi, ihiya pë xo, xirepma pë xo, papeo si pë kãi, 'lápis' pë kãi xo, ri keteriketeri të u pë kãi tahe, watota pë xo, 'borracha' pë xo, 'caneta', 'bicicleta' pë xo, 'lanterna' pë xo, 'pilha^pë xo, 'avião' pë xo, makera pë xo, nakra pë kãi, 'luz' wakë pë xo, 'panela' pë xo, 'colher' pë xo, 'malhadeira' pë xo. Awei, naha ya të pë wãhatakema. Ei të pë wãha rë kui, napë pën të pë ha kopeprahen 'loja' pë ha të pë ha rukëmahen, h tëhë  të pë no tiremahe. Të pë xomi hipë puhiomihe yaro, papeo si kn a no riyã ha ninipron. Kuwë yaro, matohi totihitawë yaitawë pë ta piyëkouhe.Napë iha matohi yama a no puhia tëhë, pëma a rura makuia no tiremahe, ai a 'loja' ham. Të pë no rëtirepouwehei, kama pë no riyã ha ninipron. h të pë ha tahen, urihi, maxita pë wãriahe. h rë kutaen, pruka pë ohotamou yaro të pë no tiremahe, kama pë riyã ha temion.

    'Dinheiro' kn kama a no nihi totihiwë, a riyã ha ohii maon. Të pë no matohi tirepou totihiwehe.
    naha napë pë iham matohi të pë no kuprawë. Napë pë iham të pë yaitawë he parohowë. Matohi yama pë wãha no wayoama.         
     

    Acerca dos objetos que fazem os brancos, os que eles aprontam.
    Sim, os objetos que nós, Yanomam, fazemos, são diferentes.

    Eis nossos objetos que são diferentes: nossos « fósforos », panela de barro, o tipo de breu, flechas, aljava, cuia, a rede de algodão, forno para beiju, corda (feita a partir da planta “xinakotorema”), arquinho de criança, ponta de flecha, dente de cutia (para adorno, cunha ...), breu, outro tipo de de ponta de flecha (arpão), arcos, braçadeira de pele de cabeça de mutum, penas de rabo de arara, penas de rabo de papagaio, braçadeira de pele de cabeça de jacamim, penas de 'hem' (espécie de pássaro), penas de rabo de tucano, os cestos de tecelagem fechada, cestos achatados, paneiros, tanga, abano ... Esses objetos, nós, Yanomam, os possuímos, nossos objetos são diferentes.
    São os nomes dos objetos que nossos antepassados descobriram primeiros. Por isso nossos objetos são diferentes.

    Os que fazem os brancos são diferentes. No início, os objetos que eles faziam, depois de tirar os recursos naturais, eles os fizeram, fizeram então os objetos. O branco refletiu primeiro, com a intenção de vendê-los, os colocou na loja par trocá-los por dinheiro, assim todos esses objetos os fizeram logo, para não serem mais pobres. Fazem também cabo de terçado, carros, anzóis, linha de pesca, livros, lápis, perfumes, roupas, borrachas, canetas, bicicletas, lanternas, pilhas, aviões, redes, tesouras, as luzes, panelas, colheres, malhadeiras. Coloquei esses nomes. Quando os brancos vão aprontar esses objetos assim denominados, eles os colocam dentro de lojas e aumentam então os preços. Pois, não querem dar de presente, para se enriquecerem com dinheiro. Por isso, fazem todo tipo de objetos bonitos. Quando cobiçamos um objeto, mesmo se o compramos, eles aumentam o preço numa outra loja. Eles guardam os preços altos para se tornarem ricos. Quando fazem assim, estragam a floresta e a terra. Conforme todos os que trabalham, eles aumentam os preços, para viverem. São muito ricos com dinheiro para não passarem fome. Eles mantêm os preços muito altos.

    Assim é o preço dos objetos nas cidades. É muito diferente no mundo dos brancos. Nós contamos os objetos.

    (Relatório do 7o curso de formação dos professores Yanomami, novembro 2007)

     

    Os Índios do Brasil

    O tema principal da imprensa nestas últimas semanas é a terra indígena “Raposa Serra do Sol”. Este conflito é o resultado da política inconseqüente do governo federal, da continuação no poder da antiga oligarquia rural local e do racismo tradicional da população brasileira contra os povos indígenas.  

    De um lado do conflito está o governo federal, que homologou a demarcação da terra indígena no ano 2005 e agora está tentando retirar, com ajuda da polícia federal os últimos seis produtores de arroz e latifundiários da área. Ao seu lado estão os indígenas com a sua organização CIR , as organizações indígenas do Brasil, os movimentos sociais e as ONGs.

    Do outro lado estão os produtores de arroz mencionados, que alegam não ter recebido a devida indenização para a perda das suas terras e que querem uma renegociação da demarcação. Ao seu lado estão as suas milicias armadas, a política e justiça local, a classe média brasileira e a imprensa nacional.

    Os últimos acontecimentos: os produtores de arroz atacam um grupo de índios com as suas milícias armadas, a polícia federal prende o chefe deles e a justiça libera-no um dia depois. A agência federal Ibama aplica uma multa de 30 mi de reais por danos ao meio ambiente na antiga propriedade dele, os produtores queimam as pontes de acesso e por último a polícia federal prende por suposta pedofilia o procurador-geral de Roraima, pessoa-chave junto ao governo de Roraima na obstrução judicial das ações da policia federal. A seguir ...

     

     
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    Pascal

    Pascal : "Les Peuples autochtones sont notre passé et notre future"

    Pascal est né à Bâle, où il a étudié l'ethnologie. Il travaille depuis 1998 comme coopér-acteur avec E-Changer au Brésil. Le premier projet était avec le Mouvement des Paysans Sans Terre (MST). Pendant huit ans il accompagnait la construction du secteur national de l'informatique et l'inclusion numérique. Depuis février 2008, Pascal travaille avec la Secoya - Service et Coopération avec le Peuple Yanomami - à Manaus.

     

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